2013 Relatório
de atividades

Produção Mais Limpa

O setor produtivo vive sérios desafios neste começo de século. Na medida em que a renda média das pessoas cresce junto com o número total de habitantes, a demanda por produtos também aumenta. No entanto, os recursos que temos a nossa disposição não são mais suficientes para alimentar a máquina produtiva global: atualmente, a média de consumo dos seres humanos já equivale aos recursos de um planeta Terra e meio.

A conta não fecha e isso já se faz sentir nas indústrias que vivem um cenário cada vez mais restritivo: recursos naturais, particularmente a água, começam a fazer falta. Ao mesmo tempo, o desperdício e a má destinação de resíduos continua fazendo parte da realidade de quem produz.

Essa ambiguidade entre restrição e mal uso dos recursos naturais mostra como a lógica do “mais é melhor” já não faz mais sentido. Mantidos os padrões que orientaram a produção até hoje, o colapso será inevitável. Movimentar a economia e gerar renda e empregos são objetivos importantes, mas no século XXI essa busca passa por uma reorientação da forma como produzimos, eliminando distorções e incentivando a racionalização da produção e do consumo

PARQUES TECNOLÓGICOS DE SUSTENTABILIDADE URBANA
Um dos legados mais importantes do século XX foi o processo acelerado de urbanização do planeta, alimentado pelo crescimento exponencial da população humana no período.

As marcas desse legado são profundas neste começo de século XXI: pela primeira vez na história, 52% da população mundial vive em cidades. Estamos falando de mais de 3,5 bilhões de pessoas, contingente global que ganha cerca de 200 mil novos indivíduos todos os dias. Estas colmeias humanas consomem 70% da energia mundial, são responsáveis por cerca de 70% das emissões de gases de efeito estufa (GEE), ao mesmo tempo em que ocupam menos de 3% da superfície da Terra.

Esse contexto coloca as cidades na linha de frente da transformação para uma sociedade sustentável. Este é o sistema humano mais promissor para implementarmos um conjunto de ações voltado para a sustentabilidade: se as cidades reúnem os problemas estruturais mais básicos de uma sociedade, elas também reúnem os recursos humanos, materiais e intelectuais para buscar a solução desses desafios. Ou seja, a transformação para a sustentabilidade precisa partir das cidades.

No que tange às cidades, infraestrutura, desempenho econômico, equidade e inclusão social, qualidade de vida e conservação ambiental são dimensões fundamentais para determinar a prosperidade de uma região. Dessa maneira, é essencial que dialoguemos com o poder público, a iniciativa privada e a sociedade civil em torno de um projeto transformador, com soluções integradas que gerem empregos, economizem recursos naturais, contribuam com a redução das emissões de GEE e melhorem a qualidade de vida das pessoas.

Apesar do meio urbano não ser um foco direto da atuação do GVces, em 2013 a temática entrou no radar do Centro por meio de iniciativas focadas em inovação e formação de jovens.

“Cidades para seres viventes”, defendem os fisers da turma Se7eMeio

Para os alunos da turma Se7eMeio, do FIS 7, as vozes populares que ecoaram nas ruas brasileiras em junho de 2013 traziam consigo a insatisfação com um sistema esgotado, que tem nas cidades atuais o símbolo de sua falência social, econômica, cultural e política. Diversas cidades no mundo já perceberam este esgotamento, e procuram caminhos e alternativas - e a sustentabilidade pode ser uma saída para que as cidades passem a ser espaços dedicados àqueles que vivem nela.
Confira como foi a apresentação final da turma e saiba mais sobre sua proposta de parque tecnológico de sustentabilidade urbana para a Associação de Prefeitos da Região Central do Estado de São Paulo (APREC).

Se transformações de longo prazo dependem do engajamento contínuo de uma comunidade e de diferentes setores da sociedade, o surgimento de futuros líderes que catalisem esse processo é um ingrediente indispensável. É nesse contexto que aconteceram duas novas edições da disciplina eletiva “Formação Integrada para Sustentabilidade” (FIS), organizada pelo GVces junto à FGV-EAESP e oferecida aos alunos de graduação dos cursos de Administração de Empresas, Administração Pública, Direito e Economia da FGV em São Paulo.

No primeiro semestre, a turma, Se7eMeio aprofundou a agenda de trabalho iniciada pela turma CLiCK (FIS 6) em 2012 (que abordou a questão da inovação tecnológica e energia limpa na criação de empregos verdes). Em seu Projeto Referência, os fisers foram desafiados a elaborar uma proposta de captação de recursos para a implantação de um Parque Tecnológico Regional de Sustentabilidade Urbana, a partir de uma iniciativa de trabalho lançada pela Associação de Prefeitos da Região Central do Estado de São Paulo (APREC), entidade que reúne quase 30 municípios paulistas.

O propósito desse parque é criar um ecossistema regional de referência em tecnologia limpa e estratégias urbanas inovadoras orientadas para a sustentabilidade, a partir de uma perspectiva de mitigação e adaptação às mudanças climáticas. Este contexto também permitirá a articulação de diferentes atores relevantes, como empresas, poder público e universidades em prol da produção de conhecimento e tecnologia, e assim tornando a região central paulista num polo de economia verde e de baixo carbono.

Dessa maneira, a turma Se7eMeio analisou temas como inovação na gestão pública e desenvolvimento humano, mobilidade urbana, edificações, energia renovável e eficiência energética, e gestão de resíduos. Os alunos também fizeram sua macro imersão na região central paulista, visitando os municípios de Araraquara, Gavião Peixoto, Jaboticabal, Matão, Monte Alto, Ribeirão Bonito, Rincão, São Carlos e Santa Lucia, aonde entrevistaram especialistas acadêmicos, empresários, secretários municipais e prefeitos, além de atores sociais locais. A turma Se7eMeio também visitou incubadoras de empresas e experiências de parques tecnológicos na região, assentamentos de agricultura familiar e centros de estudos e pesquisa da Universidade do Estado de São Paulo (UNESP) e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), bem como empresas e organizações da sociedade civil.

A proposta da turma Se7eMeio para o desafio do Projeto Referência, partiu de quatro princípios: a promoção do bem estar para os seres viventes; a interação entre a evolução científica e a da sociedade; o enraizamento dinâmico, que favorece a autorreflexão contínua sobre a posição do indivíduo/sistema perante a realidade; e a colaboração, cocriação e interação entre todos os agentes da sociedade.

Tendo em vista os objetivos idealizados pela APREC para o parque tecnológico e a legislação sobre inovação e fontes de financiamento, os fisers propuseram a instalação múltipla de modelos de inovação, aproveitando as potencialidades, afinidades e a diversidade dos municípios. Este modelo possibilitaria a captação de recursos por meio de diferentes canais de financiamento, com cada instalação sendo responsável pela caracterização de seu próprio modelo de inovação, que, por sua vez, atenderia às necessidades e capacidades de cada município. Dessa forma, cada instalação seria independente cultural, financeira e administrativamente, mas integrada técnica e conceitualmente através de uma rede e de um banco de dados em comum. Por fim, estas instalações precisam ser inseridas no tecido urbano e interagir com outros espaços e atores urbanos.

Turma Se7eMeio entrevista prefeito de Santa Lucia/SP, Antonio Sergio Trentim, durante macro imersão do FIS (abril) Turma Se7eMeio visita assentamento Monte Alegre, próximo ao distrito de Bueno Andrada, em Araraquara/SP, durante macro imersão do FIS (abril)
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RESÍDUOS SÓLIDOS E LOGÍSTICA REVERSA
Promover a inovação na produção, particularmente no contexto urbano, dialoga diretamente com um dos problemas mais sérios da atualidade: o desperdício e a exploração excessiva dos recursos naturais.

Nas cidades, uma face tradicional desse problema é o lixo. De acordo com dados do Banco Mundial, os resíduos sólidos urbanos produzidos anualmente pelas cidades em todo o mundo são estimados em 1,3 bilhão de toneladas. Apenas nessa última década, a quantidade per capita quase duplicou.

O “lixo” levanta questões essenciais e complexas, que mexem com os padrões atuais de produção e os hábitos de consumo: a acelerada exploração de recursos naturais e seus consequentes impactos negativos sobre o bem-estar humano; a necessidade de valorizar o protagonismo dos catadores na prestação de serviços de coleta seletiva; a harmonização das diferentes legislações sobre o tema de resíduos; a atenção política sobre os diferentes interesses econômicos que movimentam a agenda de resíduos, particularmente no que diz respeito aos contratos públicos de limpeza urbana e coleta de lixo; e as inúmeras possibilidades de geração de valor nessa cadeia, seja no pré ou no pós-consumo.

Quando ampliamos o nosso olhar sobre o tema, o até então “lixo” pode se transformar em recurso e oferecer oportunidades, como geração de energia e insumos para agricultura e outros setores industriais, além de soluções inovadoras aos desafios de múltiplos contextos, como estabilização do clima (por meio das possibilidades de aproveitamento energético) e a redução da desigualdade de renda (através da incorporação dos catadores à economia formal).

No Brasil, o tema dos resíduos sólidos sempre levantou polêmicas no debate público. Não foi à toa que o Congresso Nacional demorou mais de duas décadas para aprovar a tão esperada Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), em 2010.

“Imagem de Nós”: turma ENLACE (FIS 8) traz sua contribuição para a discussão sobre resíduos sólidos no Brasil

A PNRS tem por objetivo o incentivo à não-geração, redução, reutilização e ao tratamento de resíduos sólidos; sua destinação final adequada em termos ambientais; a diminuição do uso de recursos naturais na produção de novos produtos; e a promoção da reciclagem enquanto tratamento de resíduos, geração de renda e inclusão social (saiba mais sobre a PNRS no capítulo 1 deste relatório).

No entanto, mesmo depois de duas décadas de discussão política, ainda persistem muitas dúvidas e incertezas sobre a PNRS. A legislação desafia governos, empresas e cidadãos a mudar profundamente a forma como compreendemos e lidamos com a questão dos resíduos sólidos em todo o Brasil, e coloca na agenda alguns caminhos que dependem da colaboração ativa entre esses atores. Num país de dimensões continentais como o Brasil, o desafio da implementação da PNRS ganha ainda mais complexidade, especialmente pelas diferenças estruturais, culturais, econômicas e políticas presentes nas diferentes regiões do país.

O debate ainda está quente e aberto, mas a ação efetiva é urgente. Por essa razão, e novamente pensando na sustentabilidade nas cidades, a turma ENLACE do FIS 8 foi desafiada a contribuir construtivamente para os diálogos sobre resíduos sólidos no Brasil. O desafio do Projeto Referência no segundo semestre foi ambicioso e inovador: realizar um documentário que apresentasse uma contribuição significativa à complexa e controversa implementação da PNRS, rumo a soluções de vanguarda na gestão de resíduos sólidos e logística reversa.

Além de conhecerem sobre o processo de produção de um documentário (veja mais no capítulo 6 deste relatório), os fisers da ENLACE conversaram intensamente com especialistas em gestão de resíduos, advogados, gestores públicos, representantes da iniciativa privada e da sociedade civil, no sentido de identificar os entraves e gargalos que poder público e empresas enfrentam no cumprimento dos compromissos definidos pela PNRS. Este esforço foi feito em conjunto com a equipe do projeto Inovação e Sustentabilidade na Cadeia de Valor (ISCV), que também abordou a PNRS e os temas de resíduos e pós-consumo durante o seu ciclo 2013 (saiba mais no capítulo 1)

Durante a macro imersão, a turma visitou três Estados para conhecer atores que já estão lidando com a complexidade em torno da Política Nacional e do tema de resíduos sólidos. Mais de 30 atores diferentes foram visitados em cidades como Belo Horizonte/MG, Brasília/DF e Porto Alegre/RS. O produto final da turma, o documentário “Imagem de Nós”, reúne as reflexões e os apontamentos desse trabalho de pesquisa sobre resíduos sólidos e logística reversa no Brasil.

Turma ENLACE (FIS 8) visita central de reciclagem da Cooperlinia, em Paulínia/SP (agosto) Alunos da turma ENLACE visitam InPEV, central de reciclagem de embalagens de produtos agrícolas, durante macro imersão do FIS 8 (outubro)
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ENERGIA E ELÉTRICA MAIS LIMPA E OS DESAFIOS DA MATRIZ BRASILEIRA
Um dos pontos mais frequentes na crítica ao padrão atual de produção é exatamente a sua dependência de fontes energéticas fósseis, como carvão, petróleo e gás natural. A expansão na produtividade industrial no último século foi alimentada pelo consumo acentuado desse tipo de combustível, o que precipitou no acúmulo de gases de efeito estufa (GEE) em nossa atmosfera, gerando assim o efeito estufa e o aumento da temperatura média do planeta.

Assim, se quisermos pensar em um modelo mais limpo de produção, particularmente no contexto das mudanças climáticas e da emergência de uma economia de baixo carbono, precisamos nos debruçar sobre como produzimos e como consumimos nossa energia.

Para um país que almeja desenvolvimento econômico no século XXI, um ponto estratégico é a produção de energia elétrica. Em muitos países, especialmente aqueles que dependem bastante de fontes fósseis de energia, a matriz elétrica nacional é responsável frequente pela maior parte das emissões nacionais. Historicamente, o Brasil possui uma vantagem comparativa bastante peculiar com relação a esses países: a maior parte da sua matriz elétrica é abastecida por um fonte não-fóssil, a energia hidrelétrica. Assim, a matriz elétrica brasileira é relativamente mais limpa que a de outras nações, o que coloca o Brasil numa posição vantajosa.

Entretanto, o aumento na demanda de energia, decorrente do crescimento da economia brasileira na última década, colocou o governo brasileiro em um dilema: como aumentar a produção de energia elétrica sem aumentar as emissões de GEE do país? Até agora, mesmo com investimentos crescentes em fontes renováveis de energia, particularmente energia eólica, o governo brasileiro tem priorizado seus investimentos na construção de mais usinas hidrelétricas, que começam a mostrar sinais de esgotamento, e de usinas termelétricas, o que aumenta as emissões de GEE.

Ou seja, a matriz elétrica brasileira está se tornando gradualmente “mais suja”, dependendo cada vez mais de termelétricas que operam com combustíveis fósseis, como gás natural e carvão. Isso tem se refletido no peso do setor energético no perfil das emissões brasileiras de GEE.

Em 2005, as emissões relativas à energia (considerando eletricidade, transportes e combustíveis) respondiam por apenas 16% do total das 2,03 bilhões de toneladas de CO2 equivalente (tCO2eq) registradas naquele ano. As emissões relativas à geração de energia elétrica compõem parte importante do setor energético, contribuindo principalmente pelo uso de combustíveis fósseis para geração elétrica. O setor elétrico foi responsável pela emissão de 30 MtCO2eq em 2011 (8% do total do setor energético), tendo emissões projetadas de 68 MtCO2eq em 2020.

Com base neste cenário, a Plataforma Empresas pelo Clima (EPC) dedicou um espaço importante em sua agenda de trabalho no Ciclo 2013 a pensar caminhos para o aumento da produção de energia elétrica no Brasil, compatível com a redução de emissões de GEE que demanda uma economia de baixo carbono.

A partir de um grupo de trabalho com representantes das empresas membro da EPC, a equipe do GVces se debruçou no desenho de propostas de políticas públicas para o setor elétrico em prol da transição para um modelo com baixas emissões de GEE, considerando a segurança energética no fornecimento de energia, com menor dependência de fontes fósseis para a geração, diversificando a matriz elétrica nacional.

Essas propostas foram sistematizadas em mais uma publicação da série “Propostas Empresariais de Políticas Públicas para uma Economia de Baixo Carbono no Brasil”, focada especialmente em energia elétrica, apresentada em dezembro durante o Fórum Anual das Iniciativas Empresariais do GVces.

As propostas apresentadas pela EPC visam o horizonte do ano de 2020, a partir de três elementos que compõem o cenário brasileiro: o Sistema Interligado Nacional (SIN), o planejamento energético e os incentivos voltados ao desenvolvimento de fontes específicas de energia renovável (confira as propostas no destaque).

O QUE APRENDEMOS E O QUE O FUTURO NOS RESERVA

De acordo com relatório recente das Nações Unidas, espera-se que o planeta Terra seja o lar de mais de 9,5 bilhões de pessoas em 2050. Esse crescimento se dará principalmente nos países em desenvolvimento, particularmente na África e na Ásia. Junto com o maior número de nascimentos nos países mais pobres, a expectativa de vida nos países mais ricos tende a aumentar ainda mais.

Esse cenário demográfico aponta desafios sérios para quem se dedica à construção de um novo modelo econômico e social pautado pela sustentabilidade. É como se você estivesse consertando um carro enquanto ele está correndo em alta velocidade: as transformações são necessárias para que essa gigantesca população possa ter uma vida digna, mas elas são igualmente difíceis, pois a demanda por recursos continuará a crescer.

Termos um processo produtivo que respeite limites ambientais e o bem estar de toda a sociedade é fundamental para reduzir impactos negativos - como a escassez de recursos naturais, a geração de energia intensiva em carbono, o acúmulo de resíduos descartados, a contaminação do ar, da água e do solo etc.

Os estudos realizados pelo GVces em 2013 ajudam a compreender uma pequena parte desse desafio, mas permitem vislumbrar que, seja pela inovação na produção, na gestão e no processamento de resíduos sólidos, ou na produção de energia a partir de fonte renovável, os diferentes caminhos para responder ao desafio da produção mais limpa não podem ser trilhados de forma isolada.

As empresas envolvidas em diferentes processos produtivos devem ampliar o nível de colaboração para lidar com desafios mais complexos, como reduzir as emissões de gases de efeito estufa na atmosfera e a dependência dos combustíveis fósseis; atender às diretrizes da Política Nacional de Resíduos Sólidos, levando em conta as demandas dos diversos grupos sociais relacionados à economia dos resíduos; desenvolver parques tecnológicos integrados que estejam alinhados com a sustentabilidade em todas as suas perspectivas.

Em 2014, o GVces pretende dar novas contribuições para esse panorama, trazendo estudos sobre a influência e dependência das empresas em relação à água, olhando para as compras sustentáveis como um elemento que estimula também produtos gerados de forma mais limpa, avançando nas iniciativas que fortalecem a gestão de carbono como parte das políticas corporativas. Sempre na perspectiva de que reconhecer a integração entre diferentes fatores ambientais e sociais demanda uma atuação articulada e conectiva entre os diferentes atores da economia.

Menos é mais?
“O número de horas trabalhadas, de itens consumidos, de resíduos gerados e de emissões de carbono não pressupõe uma vida melhor. Tantas vezes ocorre o contrário: na busca frenética por quantidade, que caracteriza a sociedade contemporânea, mal temos tempo de olhar para o sentido de cada ação e apenas respondemos passivamente ao que nos exige a engrenagem de um sistema. Com isso, acaba havendo uma inversão: trabalhamos basicamente para manter um sistema em funcionamento, em vez de criarmos um modo de organização social e econômica para nos servir e trazer bem-estar. (...)
A sociedade dos excessos, perdulária e voraz, não cabe neste pequeno mundo finito. Para que tenhamos mais do que realmente importa, basta nos espelhar nas faxinas que costumamos fazer em casa no fim de ano: desapegamos de tudo aquilo que não faz falta para abrir espaço ao novo e imprescindível”.
Saiba mais

Editorial Revista Página22
Edição 71 (fevereiro de 2013)

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