2013 Relatório
de atividades

COMUNICAÇÃO E SUSTENTABILIDADE

Diálogo, integração, transparência, ação em rede são expressões-chave da sustentabilidade. São também diretrizes da comunicação no século XXI, no qual conectar é a mensagem por trás do fluxo de informações entre diferentes atores e realidades. Comunicação e sustentabilidade formam, assim, um binômio indissociável para as transformações necessárias a uma sociedade que busca gerar novos valores na economia e na política, bem como nas relações entre os seres humanos e com a natureza. Ficam para trás os entendimentos do século XX de que tanto o desenvolvimento como a comunicação se realizavam a partir de projetos ou informações concebidos e difundidos a partir de um emissor para um público receptor.

Assim como busca a colaboração de diferentes atores para construir conhecimento, o GVces tem procurado, também na comunicação para a sustentabilidade, modos mais colaborativos de dialogar com comunidades tão diversas como a de alunos da FGV, as organizações não-governamentais, as empresas, leitores já iniciados em sustentabilidade, pessoas da sociedade em geral interessadas no assunto, entre outros.

Aluna da turma ENLACE faz gravação externa para documentário do FIS 8

IMAGEM DE NÓS
Inovar na forma do diálogo com a sociedade em rede é fundamental para a sustentabilidade, não importa a dimensão de quem está aportando informação. Exemplo recente veio da disciplina eletiva Formação Integrada para Sustentabilidade (FIS), concebida e conduzida pelo GVces na FGV-EAESP que decidiu em 2013 explorar novos caminhos para comunicar o resultado final de seu curso semestral para o público em geral. Geralmente, as turmas produziam relatórios direcionados aos atores que estavam no foco do Projeto Referência – o desafio prático de cada semestre. Em muitos casos, como os desafios abordavam temas de interesse social mais amplo, o formato do produto final acabava dificultando o acesso de parte do público.

Assim, na oitava turma do FIS, a ENLACE, promovida no 2º semestre de 2013, as conclusões do Projeto Referência foram apresentadas por meio de um documentário que abordasse os desafios da implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), dialogando com os diferentes atores envolvidos e reunindo possíveis caminhos e soluções para a gestão de resíduos sólidos e logística reversa no Brasil (saiba mais sobre o trabalho do FIS em resíduos sólidos no capítulo 5 deste relatório).

A ideia do documentário era ir além da mera difusão de informações: ele deveria abrir espaço para a produção criativa de um repertório para conversas e reflexões relevantes, de forma a sensibilizar e mobilizar o espectador a ampliar o seu conhecimento sobre o tema, criar sentido e tomar posições. Para tanto, além do estudo aprofundado sobre os desafios associados a resíduos sólidos no Brasil, os alunos da turma ENLACE se envolveram também com a produção audiovisual. Em pouco mais de quatro meses, os fisers foram capacitados e orientados por profissionais da área para trabalhar nas diferentes etapas do processo de produção – linguagem, argumentação, estilo, captação de imagens, fotografia, som, iluminação, roteiro, edição e finalização. O processo de captação de imagens foi realizado durante as duas viagens de imersão, a partir de entrevistas com atores relevantes e visitas a experiências e empreendimentos relacionados.

Todo o processo de produção do documentário foi coconstrutivo, envolvendo todos os 16 membros da turma, além de contribuições da equipe do programa Consumo Sustentável, da Linha de Comunicação e Mobilização e da Secretaria Executiva do GVces. O trabalho de produção do documentário do FIS 8 foi apoiado pela Konrad Adenauer Stiftung, pelas companhias Natura e Braskem e pelo Banco Itaú.

O produto final da turma, o documentário "Imagem de Nós", foi concluído no final de novembro de 2013 e foi exibido no começo de dezembro num evento especial no Espaço Itaú de Cinema Frei Caneca, em São Paulo. O ciclo de vida do documentário inclui ainda exibições ao longo de 2014, como no festival Prototype, do Instituto Goethe, e no YouTube, onde está disponível gratuitamente no canal do GVces no Youtube.

NOVAS FERRAMENTAS E CAMINHOS PARA COMUNICAR MUDANÇAS CLIMÁTICAS
Informação e tecnologia são recursos poderosos para que a sociedade fiscalize a forma como o poder público conduz suas políticas e ações. No que tange às mudanças climáticas, ajudam a reconhecer se as ações de mitigação e adaptação são suficientes para lidar com um desafio dessa magnitude, que afeta a todos, em todo o planeta.

Um reforço importante neste cenário para a atuação do Brasil surgiu em 2013, quando o Observatório do Clima (OC) lançou o Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG).

Trata-se de um instrumento que mensura e sistematiza as principais informações sobre as emissões brasileiras do ano anterior, um avanço considerável na produção de informação técnica sobre o tema no país.

Empresas na COP

Além do trabalho de cobertura para o Observatório do Clima, o GVces deu continuidade ao esforço conjunto da Plataforma Empresas pelo Clima (EPC) com a Câmara Temática de Energia e Mudança do Clima do CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável), o Fórum Clima do Instituto Ethos e a Rede Clima da Indústria Brasileira da CNI (Confederação Nacional da Indústria) – as Iniciativas Empresariais em Clima (IEC).

Em Varsóvia, representantes dessas redes participaram de discussões com negociadores e com outros atores empresariais engajados na questão climática. Todo esse trabalho foi acompanhado pelo blog Empresas na COP, alimentado pela equipe de comunicação do GVces durante a COP19.

Até então, o monitoramento das emissões de gases de efeito estufa (GEE) no Brasil tinha como única referência os dados oficiais do Ministério do Meio Ambiente e dos inventários nacionais, produzidos no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, sigla em inglês). A frequência de divulgação desses números, entretanto, não permite fazer avaliações acuradas sobre a situação presente das emissões nacionais, o que impacta não apenas no acompanhamento das iniciativas em andamento e dos compromissos já assumidos pelo governo brasileiro, mas também a construção de novas ações e o desenho de novas metas.

As estimativas do SEEG mudaram essa situação, ao fornecerem dados recentes e de qualidadepara pesquisadores, jornalistas, gestores e formuladores de políticas que lidam com mudanças climáticas no Brasil. O GVces, enquanto facilitador do OC nas iniciativas de comunicação, participou do desenvolvimento e da divulgação dessa ferramenta inovadora.

Construído a partir de uma metodologia desenvolvida pelo consultor Tasso Azevedo, o SEEG permite que governo, empresas e sociedade tenham informações detalhadas, confiáveis e atualizadas sobre o perfil das emissões nacionais, que possam embasar políticas públicas efetivas no enfrentamento das mudanças climáticas no Brasil.

A ferramenta cobra as emissões de GEE de cinco setores específicos (agropecuária, energia, mudança do uso da terra, processos industriais, e resíduos), inicialmente entre os anos 1990 e 2012, com todos os gases previstos na metodologia do inventário nacional. Para cada setor, além dos dados, o SEEG também disponibiliza a metodologia que fundamenta as estimativas, uma tabela que indica o grau de confiabilidade desses dados, e infográficos explicativos que facilitam seu entendimento. Ou seja, o SEEG aposta na transparência, no compartilhamento de informações e em formas mais acessíveis de apresentar o conteúdo, de modo a aproximar especialistas, formuladores de políticas, a mídia e o público em geral da discussão sobre clima no Brasil. Tudo isso, em um momento particularmente importante para todo o mundo – a fase final das negociações em torno do novo regime legal internacional sobre mudanças climáticas.

Além de apoiar o OC no desenvolvimento do espaço virtual do SEEG, a Linha de Comunicação e Mobilização do GVces - e seus fornecedores parceiros - também contribuíram para o redesenho do site do Observatório do Clima, no ar desde novembro de 2013.

Com um design mais simples e dinâmico, o site reúne os destaques do OC e de suas organizações membro, publicações relevantes, agenda de eventos, além de um radar sobre mudanças climáticas nas redes sociais. Tudo isso para tornar o site do OC mais fácil de se navegar, aproveitando o conhecimento técnico das suas organizações membro e voltado para a disseminação de informações sobre mudanças do clima a partir da perspectiva da sociedade civil organizada no Brasil. O novo site foi inaugurado com a apresentação do SEEG e com a cobertura da 19ª Conferência das Partes (COP19) da UNFCCC, em Varsóvia (Polônia).

O GVces também atuou na cobertura das negociações e da participação das organizações do Observatório do Clima (OC), acompanhando in loco os trabalhos dos negociadores e dos representantes da sociedade civil brasileira na Conferência do Clima.

GVces também esteve presente na Conferência do Clima de Varsóvia, a COP19, com trabalho de coberturas das negociações para o Observatório do Clima e articulação de empresas junto às Iniciativas Empresariais em Clima (IEC)
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Colheita gráfica do workshop sobre Comunicação e Sustentabilidade, promovido pelo ISE BM&FBOVESPA e GVces (03/5)

COMUNICAÇÃO PARA SUSTENTABILIDADE E A REPUTAÇÃO DAS EMPRESAS
A sustentabilidade vem se tornando cada vez mais um tema estratégico para empresas em todo o mundo. Independentemente do tamanho e perfil das companhias, observa-se uma preocupação crescente em elaborar produtos e serviços alinhados com critérios de sustentabilidade ambiental e responsabilidade social, a partir de operações mais eficientes no uso de recursos e na produção de resíduos. E, pelo apelo que o tema da sustentabilidade possui junto aos consumidores, uma das frentes para promover a sustentabilidade empresarial é a comunicação: ela pode ser um recurso importante para que as empresas deixem evidentes para o mercado os seus compromissos socioambientais, o que pode gerar importantes ganhos de competitividade e imagem.

Comunicar é importante, mas não basta: é necessário que isso reflita uma realidade consolidada dentro da empresa, e não um cenário meramente cosmético. Numa sociedade cada vez mais informada, uma falha descoberta pode significar uma perda gigantesca para determinada empresa.

Em 2013, no âmbito do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE BM&FBOVESPA), o GVces trouxe às empresas a discussão sobre sustentabilidade empresarial e seus reflexos junto a stakeholders e públicos de interesse, a partir de reflexões sobre comunicação e construção de reputação empresarial.

Em sintonia com essa discussão, uma forma importante para acompanhar como as empresas brasileiras estão se engajando no desafio da sustentabilidade e para reconhecer esse trabalho no Brasil tem sido as edições anuais do Guia Exame de Sustentabilidade, editado pela Revista Exame (Ed. Abril) com metodologia de avaliação de desempenho desenvolvida pelo GVces desde 2007. Essa metodologia compreende um levantamento sobre compromissos, transparência e governança corporativa e sobre o desempenho da empresa sob aspectos econômico-financeiros, sociais e ambientais. O GVces também coordena o processo de análise das empresas, a partir de um questionário desenvolvido pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) e respondido pelas organizações que se candidatam.

Em 2013, 61 companhias, de 20 setores, foram reconhecidas pelo Guia Exame de Sustentabilidade. Dentre elas, o Guia destacou as mais sustentáveis em sete categorias: governança da sustentabilidade, direitos humanos, relação com a comunidade, relação com os fornecedores, gestão de água, gestão de biodiversidade, e gestão de resíduos.

“A comunicação não resolve os problemas reais da empresa. Ela serve para melhorar a reputação da empresa, mas esta reputação não resiste se ela não estiver realmente atrelada às ações efetivas da empresa”.

Rodrigo Pinotti,
Diretor da agência de comunicação Imagem Corporativa, durante workshop do ISE sobre comunicação empresarial em sustentabilidade (maio/2013)

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INFORMAÇÃO PARA O NOVO SÉCULO
Visões de governos, empresas, sociedade civil; temas que conectam a sustentabilidade global a questões de desenvolvimento local; processos colaborativos e ações em rede. O universo da sustentabilidade é bastante complexo e comunicá-lo de forma clara e acessível é um desafio. Há sete anos o GVces contribui com esse esforço midiático por meio da Revista Página22, que procura preencher uma lacuna relevante na cobertura qualificada de temas da sustentabilidade, trazendo aos seus leitores uma publicação periódica que permite o acesso gratuito ao conteúdo e o compartilhamento livre de informação, reflexões e debates de qualidade.

Ano premiado para a Página22

Em 2013, a revista Página22 continuou ampliando seu alcance nos meios digital e impresso e teve seu trabalho reconhecido por premiações.

Em junho, a matéria "Apoio ao Empreendedorismo" foi premiada como Melhor Reportagem de Revista pela Associação Franquia Sustentável, braço da Associação Brasileira de Franchising.

No final do ano, Página22 foi agraciada pelo Prêmio Chico Mendes de Jornalismo Ambiental, pelo conjunto da obra, e recebeu o Prêmio Abrelpe de Reportagem, obtido através da edição nº 78 - “Lixo Zero” e também conseguiu o primeiro lugar na categoria Jornalismo Impresso e no Grand Prix.

Em pauta, os dilemas e desafios do século XXI, para que a sociedade caminhe em direção ao século XXII com uma visão de mundo que enxerga as estruturas humanas como um sistema único – no qual os modelos econômicos só fazem sentido se promoverem o bem estar social e a manutenção das condições naturais que garantem a vida na Terra.

Em 2013, Página22 acompanhou de perto temas como política, o legado de eventos esportivos, as manifestações sociais de junho e a crise de representatividade das instituições e da imprensa. As edições de 2013 também trouxeram destaques em temas importantes da agenda da sustentabilidade, como a Política Nacional de Resíduos Sólidos, adaptação às mudanças do clima e oceanos. Além de abordar esses pontos mais quentes da agenda, a revista Página22 também procurou colocar em pauta outros pontos menos debatidos pela mídia, como os dilemas associados a investimento social privado, bem como assuntos mais próximos do cotidiano do leitor, como alimentação e o ritmo de vida na sociedade contemporânea.

“A parceria com a Página22 tem provido o IDS de relevante subsídio para a construção da Plataforma Brasil Democrático e Sustentável. Aprofundando temas de grande relevância para a sociedade brasileira, a revista presta o serviço de informar por meio da conscientização e da apresentação de conteúdo de qualidade e linguagem clara, além de trazer reflexões poucas vezes estimuladas pelos veículos tradicionais”.

Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS)

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O QUE APRENDEMOS E O QUE O FUTURO NOS RESERVA

Se na comunicação o meio é a mensagem, a busca pela sustentabilidade deve se fazer a partir de modos de diálogo e fluxos de informação que sigam as mesmas bases do desenvolvimento que se quer alcançar: integrado, colaborativo, com transparência e ao alcance de todos.

O ano de 2013 trouxe boas oportunidades para o GVces fortalecer sua atuação em sustentabilidade, explorando a comunicação não como mera ferramenta mas como parte das estratégias e da própria construção e disseminação de conhecimento em rede. Sistemas de monitoramento, veículos de imprensa e vídeos se tornaram parte da mensagem sobre sustentabilidade que procuramos difundir em 2013.

Avançar na construção de uma linguagem cada vez mais acessível e apostar num uso mais ousado das tecnologias de comunicação em rede é o foco do GVces para 2014, apostando na ideia de que as formas de se construir os diálogos podem fortalecer e até mesmo apontar os caminhos que nos levam ao desenvolvimento sustentável. Esse caminho inclui o desejo de compartilhar os aprendizados do GVces em comunicação para a sustentabilidade com as empresas e parceiros com quem trabalhamos, propiciando trocas que catalisem os diálogos com a sociedade e sua transformação.

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